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Sistema de proteção contra pirataria de Software

Uma das técnicas utilizadas para se proteger um programa somente através de software é gravar informações que o software vai consultar em algum lugar do disco rígido de forma que não seja possível uma simples cópia da mesma, ou seja, deve-se esconder estas informações para que quando alguém copiar o software protegido para outro diretório ou para outro microcomputador as informações não sejam levadas junto.

A maneira mais simples de implementar esta técnica consiste em criar um arquivo com estas informações e mudar os atributos deste arquivo para que o mesmo não apareça no diretório. Os atributos de um arquivo podem ser alterados através de funções do DOS (comando ATTRIB.EXE) ou acessando diretamente a BIOS.

Esta técnica funciona bem para um usuário leigo, o qual geralmente não conhece os comandos do Sistema Operacional (DOS). Entretanto se você estiver utilizando o Windows 3.x, Windows 95, Windows 98 ou Windows NT basta selecionar a opção para Exibir os arquivos escondidos no Gerenciador de Arquivos ou Explorer e arrastar a pasta contendo todos os arquivos do diretório para outro diretório, ou até para um disquete, mantendo os atributos dos arquivos.

Esta tarefa também é simples se você utilizar o comando ATTRIB.EXE do DOS, pois basta identificar os atributos do arquivo escondido digitando attrib *.* | more, mudar o atributo de escondido (attrib -h arquivo.xxx), copiar o arquivo junto com o diretório e no destino retornar o atributo (attrib +h arquivo.xxx).

De qualquer maneira esta técnica é pouco utilizada devido sua alta fragilidade.

Uma outra forma é gravar informações relativas ao número de trilha e setor em que o arquivo está gravado, evitando desta forma que o mesmo possa ser movido, pois certamente quando o mesmo for copiado para outro diretório ou disquete sua posição absoluta (trilha e setor) não será a mesma da instalação original.

Esta técnica é um pouco melhor que a anterior, entretanto irá criar problemas quando o usuário utilizar ferramentas de organização do disco-rígido, tais como DEFRAG (para defragmentar o disco-rígido), Compactadores, etc., pois a posição do arquivo que contém as informações poderá ser alterada, fazendo com que o software

protegido não funcione mais por não encontrá-lo em seu local de instalação.

Outra técnica utilizada para "amarrar" um software a um microcomputador é gravar no arquivo escondido dados relativos às configurações dos periféricos do microcomputador, por exemplo, valores da BIOS, tipo de placa de vídeo, endereço de portas seriais, etc.

Desta forma se o software for copiado para outro microcomputador a chance de ambos terem as mesmas informações é muito pequena, portanto o software protegido não vai executar pois as configurações não serão as mesmas do arquivo de instalação original.

Outro inconveniente desta técnica é o fato da mesma não poder ser aplicada em uma rede local, já que geralmente os microcomputadores conectados na rede deverão ter configurações de hardware diferentes entre si.

Percebemos que sempre será necessário manter um disquete mestre, o qual será utilizado para instalar e desinstalar o software quando necessário. Isto é um problema pois sabe-se que toda mídia magnética, principalmente disquetes de 5" 1/4 e 3" 1/2 não conseguem na prática manter a integridade das informações por mais de 12 meses sem sofrerem regravações periódicas, ou seja, se você gravar um disquete inteiro e tentar ler suas informações após 12 meses, será grande a possibilidade de ter perdido alguma informação, pois ocorrerá a desmagnetização devido ao próprio campo magnético terrestre, além do constante bombardeamento que estamos expostos de partículas cósmicas.

Portanto quando você precisar do disquete talvez ele não funcione e você vai precisar solicitar uma nova cópia ao produtor de software. Isto representa um grande contratempo ao usuário, além de não garantir ao produtor de software que o usuário não está agindo de má fé, tentando instalar mais uma cópia do produto.

Devido à todos estes problemas, a proteção por software acabou sendo abandonada pelos produtores de software, além de ter uma fragilidade evidente ao ataque de um usuário mais avançado, ou seja, é um sistema de proteção que oferece uma pequena proteção, e os produtores de software tem o interesse em proteger ao máximo seus produtos.

Com a crescente onda de pirataria que ocorreu no mundo todo os desenvolvedores de software procuraram por algo mais confiável e foi então desenvolvido um sistema de proteção por hardware, onde as informações que antes eram guardadas em um arquivo escondido passaram a ser gravadas em um pequeno plugue eletrônico, conhecido por "dongle" no mercado internacional. Vários fabricantes passaram a ter diferentes modelos, oferecendo diferentes características como memória, criptografia, etc. Após alguns anos a tendência de desenvolvimento foi a de um plugue de proteção de software que é conectado na saída paralela do microcomputador (externamente), transparente para a impressora ou outro periférico. Desta maneira o produtor de software grava informações neste plugue eletrônico de forma que o software protegido passa a exigir a presença do mesmo para que possa funcionar corretamente.

As vantagens para o desenvolvedor de software são evidentes pois a reprodução de um circuito eletrônico proprietário é praticamente impossível, o que torna a pirataria do software praticamente impossível. O controle de revendas fica muito mais fácil, já que é o próprio desenvolvedor que personaliza cada protetor enviado para as revendas, tendo assim controle total sobre o faturamento das mesmas em relação ao seu produto. Fica aberta a possibilidade de uma nova forma de comercialização do software, o aluguel, onde o controle de vencimento de parcelas mensais é garantido pelo plugue eletrônico que pode ser atualizado (data de expiração) até mesmo remotamente, facilitando inclusive o controle de clientes.

Em alguns casos um simples telefonema com a informação de uma contra-senha pode liberar o software para rodar por mais 30 dias, sem ter a necessidade da visita de um técnico ao cliente.

Portabilidade é outro ponto forte deste sistema de proteção por hardware. O usuário tem a liberdade de instalar o software em mais de um microcomputador, entretanto poderá executá-lo apenas em uma máquina por vez, não ferindo assim o contrato de licença de uso do software.

A utilização de um plugue eletrônico propicia ao usuário uma total liberdade em relação à troca de periféricos (upgrade, troca de disco-rígido, etc.) sem a

necessidade de desinstalar e reinstalar o software protegido, já que é necessário apenas a colocação do plugue eletrônico no microcomputador em que se quiser utilizar o software protegido.

No início os protetores de hardware eram relativamente caros (por volta de US$80,00/unidade), o que fez com que apenas programas de valores elevados os utilizassem.

Hoje em dia os preços caíram para aproximadamente US$25,00/unidade, o que fez com que o número de desenvolvedores aumentasse de maneira rápida, já que passamos a ter uma relação custo/benefício muito mais interessante aos desenvolvedores de software.

Os protetores por software ainda são utilizados, mas geralmente em softwares de baixíssimo custo e que normalmente não tem o compromisso de novas versões pois são apenas de consumo (distribuídos em papelarias, bancas de revista, etc.).

Resumindo: As características de segurança de um sistema de proteção por software podem ser totalmente reproduzidas no sistema de proteção por hardware com muitas vantagens, e ainda sem os inúmeros inconvenientes e com maior segurança que os sistemas de proteção por software faziam anos atrás.

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